De volta à terra da garoa

Pela oitava vez na vida eu mudei de cidade. E pela segunda vez para São Paulo. Já estou me acostumando com as fases de transição que uma mudança de cidade demanda. Mais uma vez estou sem meus materiais de desenho e tenho que me virar com algumas canetas Pitt (Faber Castell) e um caderno de rascunhos que comprei por aqui.

No feriado de carnaval devo voltar à minha antiga cidade e trazer meus materiais de desenho para cá. Aí voltarei a atualizar o blog com desenhos de verdade e não apenas rascunhos.

Materiais de desenho, arte-final e pintura

Tenho notado que muita gente chega até o blog através de um velho post que fiz sobre os materiais para arte-final que experimentei durante os anos de tentativas e erros no meu pequeno mundinho de quadrinhos e ilustrações.

Como o ano passado foi um ano de extrema mudança na minha arte, resolvi atualizar um pouco este assunto aqui no blog. Vou escrever sobre os materiais de desenho, arte-final e pintura que utilizo atualmente para produzir minhas ilustrações.

Materiais para desenho base (sketch)

Sempre começo a ilustração com uma ideia rabiscada em um bloco de rascunhos ou uma folha A4 em uma prancheta de mão. Na maioria das vezes na frente da televisão assistindo à alguma série ou filme.

Nesta fase eu costumo usar minha idosa lapiseira pentel 0.9, um clássico que me acompanha a muitos anos. Ela tem um traçado ótimo e é macia o suficiente para deixar fluir as ideias psicodélicas do momento.

Papel

Quando a ideia do rascunho me agrada é momento de passar para o papel onde ela será consolidada. Eu costumo utilizar os tamanhos A4 e A5 para isso por dois motivos: o primeiro é porque são os dois que costumo ter por aqui, principalmente o A4. Este utilizei desde pequeno para desenhar e acostumei com o tamanho. O A5 eu adquiri a pouco tempo por ser o único com gramatura maior (180g/m2) que encontrei na época em que comecei a brincar com a técnica da aguada.

O legal é que já experimentei várias vezes o A3 (180g/m2) e sempre me sentia meio perdido em tanto espaço, até a última ilustração que fiz. Foi onde me senti mais a vontade com este formato.

Agora no início do ano eu adquiri muitos materiais novos, que incluem dois blocos de papel A4 para aquarela (300g/m2). Mas devido a algumas mudanças que terei que fazer, ainda nem tirei os novos materiais do pacote.

Lápis

Ultimamente comecei a utilizar lápis ao fazer o desenho no papel final. O motivo foi utilizar um grafite mais duro, que riscasse mais “leve” e deixasse menos marca após a arte-final com nanquim. Estou utilizando um 2H da Cretacolor.

O grafite mais macio é ótimo para sombreamentos, estudos e rascunhos, mas como eu tenho mania de riscar muito forte no papel, ele sempre deixava uma quantidade de marcas que não me agradava. Então eu acabava tendo que usar muita força na hora de apagar o lápis por baixo do nanquim com a borracha, por isso a mudança para o 2H.

Materiais para a arte-final

Já comentei diversas vezes que a parte que mais gosto no desenho é arte-finalizar com nanquim. Para mim é uma terapia.

No post sobre materiais de arte-final que fiz em 2009 eu conto um pouco sobre minha “história” com diversos tipos de canetas e outros materiais que experimentei. No final do post eu concluí que a caneta Stabilo Point Fine 0.4 foi a melhor, mais barata e simples opção.

Durante muitos anos ela supriu todas as minhas necessidades, principalmente na hora de desenhar quadrinhos. O fato de eu não ter dinheiro para outras opções também manteve ela como minha companheira por todo este tempo.

Em 2010 eu experimentei as canetas Pitt Artist Pen da Faber Castell e adorei. A ponta pincel (Brush ou “B”) traz uma experiência muito boa para o traço. Ela ajuda o artista a mudar facilmente a espessura das linhas, facilitando a representação de volume.

Mas agora tudo mudou, encontrei minha paixão para arte-final na influência de um dos meus ídolos dos quadrinhos, Fábio Moon. Graças à acompanhar o trabalho dele e de seu irmão Gabriel Bá resolvi experimentar o pincel e o nanquim.
Agora falando do material em si, eu utilizo um pince filete pelo de marta n°0 para quase tudo que se refere a linhas e traços no desenho, nos grandes preenchimentos uso pincéis um pouco mais vagabundos (a falta de dinheiro ainda não permite tanta variedade de pincel bom).Em 2011, o ano dos experimentos, eu comecei a utilizar bico-de-pena com nanquim, mas quando utilizei um pincel filete não consegui mais querer outra coisa. Até o bico-de-pena ficou mais de lado…

O nanquim que tenho usado é o Winsor & Newton preto. Tenho tido bons resultados com ele e é a melhor opção que encontro atualmente aqui na minha cidade.

Materiais para colorir

Quem acompanha meu blog sabe que sempre tive problemas para colorir. Nunca gostei de me envolver com cores e até preferia que outras pessoas colorissem as capas da minha já abandonada webcomic. Raramente eu tinha lápsos de vontade e utilizava o Photoshop para colorir.

Aguada de nanquim

Novamente com a influência de alguns artistas que conheci mais nos últimos dois anos fiquei com muita vontade de aprender a utilizar a aquarela para colorir. Mas é claro que não tinha como simplesmente gastar uma fortuna em material e me jogar de cara na tentativa e erro (de novo).

Foi então que acompanhando as tiras Quase Nada dos irmãos Bá & Moon eu conheci a técnica de aguada de nanquim. Era o mais próximo que eu chegaria de aquarela no momento. Comprei um godê e sai misturando meu nanquim preto em água para ver no que dava.

A experiência foi ótima, mas aprender sozinho sempre é mais difícil. Fiquei cheio de desenhos enrugados por falta de um papel decente e conhecimento da técnica correta.

Copic Markers

Adorei utilizar a aguada, mas ainda não eram cores, apenas tons de cinza. Eu queria algo mais… mas a aquarela ainda não estava ao meu alcance.

Foi então que no meu aniversário eu pedi para minha esposa (e acabei ganhando) um kit de marcadores originais da Copic. O kit era o Warm Gray com doze Copic Markers.

Dessa vez a influência veio do artista de comics Adam Hughes e um vídeo onde ele mostra como usa os marcadores para fazer seus sketches nas convenções de quadrinhos. Nele Hughes dizia que utilizava o tons Warm Gray e Cool Gray, mas é claro que eu não tinha como ganhar (e nem comprar) os dois, então escolhi o mais “colorido” dos dois. É mais um material que ainda estou na fase experimental, mas que já posso dizer que adorei.

No final das contas descobri que colorir digitalmente era o que não me empolgava de verdade. Pintar um desenho à mão e vê-lo pronto ali, artesanalmente, é uma sensação indescritível para mim.

Aquarela

Agora seria o momento onde eu falaria sobre aquarela. Finalmente CORES de verdade nas minhas ilustrações e não apenas variações dos tons de cinza… Pois é, mas como comentei antes, comprei tudo que precisava para começar a me aventurar com este novo material, mas as mudanças da vida ainda não me deixaram começar esta nova experiência.

Quem acompanha o blog verá como vou me sair nessa primeira experiência em breve.

Comentários, dúvidas ou sugestões?

Por ora é isso, use os comentários abaixo para deixar sua opinião sobre os materiais de desenho que costuma usar. Ou se tiver alguma dúvida ou sugestão eu adoraria “ouvir”.

Retrato da Sohfes

Retrato da minha amiga @sohfes, feito baseado em uma das fotos que ela utilizou no seu perfil do twitter. Usei apenas canetas para finalizar este, diferente do que tenho feito ultimamente (pincel e nanquim), porque meu nanquim está quase no final e não sabia se daria para o desenho todo…

Versão maior no meu DeviantArt.

Momento autocrítica

Ainda estou com problemas com desenhos grandes. Já falei em algum post de um ano atrás que perco muito fácil a proporção por ter me acostumado a desenhar pequeno sempre… mas agora o problema que encontrei foi em manter o alinhamento dos elementos do rosto… preciso praticar mais!

Materiais

– Lapiseira Pentel 0.9
– Folha A4 90g/m2
– Caneta Pitt Pen “F”
– Caneta Ecco Pigment 0.3 (Faber Castell)

Yoga

Arte-finalizado com canetas PITT da Faber Castell e colorido rapidamente no Photoshop. Baseado em uma foto.

Feliz Ano Novo!

Fiquei um tempinho pensando em alguma coisa para desenhar representando o Ano Novo, aí lembrei de quando eu era criança e passávamos a virada na casa de praia da minha avó. Era padrão toda a família caminhar até a beira do mar para fazer aqueles rituais básicos de reveillon praiano. Pular sete ondas era um desses rituais. As rosas brancas foram um extra, mais um símbolo da festa da virada no nosso país.

Desenhei esta ilustração num bloquinho que to usando pra rabiscar e testar as novas canetas que comprei, as tais Pitt da Faber Castell. Estou gostando muito de usá-las, mas consegui apenas as com ponta de pincel que produzem um traçado mais grosso. Como preciso de mais finas, acabei comprando uma 0.3 e uma 0.6 das ECCO PIGMENT, também da Faber.

Bem, desejo a todos um feliz 2011!

EDIT (em tempo!)

Mais desenhos de teste com a Pitt Faber Castell no meu bloquinho.

Tentativa frustrada de desenhar eu e minha esposa baseado em uma foto nossa… #fail

Um character design para um personagem em um estilo bem diferente do que costumo desenhar, estou tentando encontrar meu estilo, algo mais próprio, digamos.